Quem será aquela mulher que gostaria tanto de ser?
Pesar
Um som estranho na casa vazia.
Pode ser o ladrão.
Aquele que tira o sono.
Destroi vidas.
Exclui possibilidades.
De onde tirar energia para lutar contra injustiças?
O que pode ser feito?
Como agir sem ser atroz?
O tempo é dono do mundo.
Só ele dissolve.
Quando acabar, estaremos aqui.
Pergunta
Até onde uma paixão pode nos levar? Um ponto cego. Um segundo e meio depois, a vida perde o seu destino número um e passar a seguir as probabilidades dos outros camimhos. Quantos começos um amor pode ter? Toque, fervor. Dez minitos se passaram e ainda pode se sentir o cheiro da pele, da transpiração. Quantas vidas podem ser vividas em quatro anos? Resignificou-se. Do avesso, do caos nasce um outro nós. Incontáveis são as personalidades que absorvemos até nos reencontrarmos. Ali. Simples e ignorantes de nós. Quantos minutos nos separam até o próximo emcontro? Aproximadamente infinito. Falta pouco para o sempre.
Assim espero.
Diariamente
Alguma coisa está errada. Suspensa. Mesmo que todos os dias eu acorde pelo impulso de continuar, não vejo nada positivo nas coisas que produzo. Nenhuma satisfação por ter acertado, ou ainda por estar no caminho certo. Não existe caminho. Uma sensação de andar em circulos, de que nada poderá nos tirar do abismo que chamamos de rotina. E tem você. Uma pérola bruta, com a concha quebrada, que precisa de amor e apoio. De onde vem a força?
Tudo é igual. Os rostos, as mesmas frases. O perfume suave no jardim. Não há saída. Sem resistência, somos empurrados para o mar. Incansáveis. Sempre será segunda-feira.
O sono que teima a chegar. A dor que persiste em circular em cada ponto do corpo. Mente. Alma. O que estamos fazendo?
A resistência é nula. A luta que travamos contra o relógio está sendo vencida pelo desanimo desses dias.
Sinto aue o tempo está se esgotando e não consigo pensar em nada que faça com que... É tão amargo o sabor da saudade.
Somos o lado negativo, entre àqueles que não aceitam nossa decisão. Nossa?
Não perecerei. Pelo menos não até a próxima segunda-feira.
Traz de volta?
as mentirinhas, historinhas delicadas, para não assustar as crianças?
Breja, Briga e... outro B para você
O que você quer?
Pergunta-se.
Quero tudo.
Manhãs repletas de luz.
Amigos para opinar.
Lágrimas de alegria nas chegadas e partidas.
Quero um dia nublado.
Dançar aos sábados à noite.
Fortuna pra jogar no lixo.
Quero amor pela manhã.
Passeio no clube com as crianças.
Deitar no gramado e descansar.
Sem perder.
O dia em que me apaixonei pela última vez
Seis dias antes, havia sido minha formatura. Distanciei-me de meu início de carreira como jornalista para ser Garçonete. Isso mesmo, trabalhando em um bar medieval da cidade.
Pode parecer estranho, mas a mulher que eu era à época é muito diferente do que sou hoje, principalmente, pelas escolhas que fiz e que fizeram por mim neste tempo.
Como todo conto de fadas, a história se passa à noite. Fiquei a tarde inteira dentro da taberna recebendo treinamento do cardápio da casa. Muitos pratos para decorar e drinks, muitos outros drinks. Sempre gostei de público, mas durante os dois meses em que trabalhei na casa, passei por bocados e bocados de humilhação. Estava em início de vida, comecei a não me importar a lavar banheiros e limpar mesas. Passei a ouvir muita grosseria. Algumas delas eram praticadas como gente como eu, que tinha de tudo e não me importava em destratar pessoas menos abastadas.
Você deve começar a pensar que eu era uma pessoa bem financeiramente, mas não o fui. morava há 38 quilômetros do centro da cidade e minha família sempre passou por dificuldades financeiras. Minha mãe sempre fez questão de proteger, minha irmã e eu, do mundo aqui fora. E me acostumei a achar que nada de ruim iria acontecer comigo.
A noite estava para começar, então após o treinamento, o dono da taberna nos incitou a continuar na casa e ver como era o movimento. Não demorou muito para começar a servir mesas e me apresentar aos outros garçons. Todos muito jovens, entre 19 a 23 anos. Estava me sentindo nervosa, mas uma injeção de energia me contagiava a continuar a ficar em pé e a sorrir. No final do expediente, por volta das 01h, iria para casa de meu namorado. Então o barman mais carrancudo do mundo veio em minha direção e perguntou-me se eu tinha carro. Disse que sim. Em seguida, perguntou-me se poderia lhe dar uma carona até a rodoviária central. Disse que não haveria problemas.
Nos tornamos amigos da forma mais estranha. Em menos de uma hora conversando antes de entrar no carro, descobri que o cara carrancudo e que tinha cara de mau, era mau mesmo. Com cicatrizes da rua, história de vida conturbada e que parecia não sorrir nunca. O deixei na rodoviária e demos início a uma amizade sólida. Apesar das dores, ele era um cara legal. Precisava apenas dar uma oportunidade de nos conhecermos. E deu certo.
Este foi uma de tantas noites na taberna entre risos, cigarros, cerveja e sinuca. Sempre depois do expediente, sempre conversávamos. Às quartas, ficávamos até 02h30 da manhã jogando conversa fora e falando um pouco sobre nossa trajetória. Assim como todas as minhas melhores amigas, comigo há mais de 10 anos, o contágio foi quase que imediato. Tudo parecia engraçado e fora do normal perto dele. Me sentia feliz, mesmo não sabendo que este sentimento pode ser confundido por tantos outros como uma afinidade surreal. Éramos assim. Amigos.
Lembro-me que quando minha mãe passou por uma cirurgia difícil, ele estava a meu lado, amparando minhas lágrimas. Apenas sete dias depois em que nos conhecemos.
E toda história em que a mocinha se apaixona pelo ladrão é verdade. Mas isso, eu só pude notar depois de um ano, muitas confusões e uma única pessoa a meu lado.
você.