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Meu amor

Peço desculpas.
Assim.
Pelos últimos anos.
Pelos últimos dias.

Peço desculpas.
Abandono o sonho.
Despeço me do futuro.
Lhe perco para a vida.

Peço desculpas.
Pois,
Embora seja tarde,
Espero que volte.

Que não demore 20 anos.

O que você quer?

Pergunta-se.

Quero tudo.
Manhãs repletas de luz.
Amigos para opinar.
Lágrimas de alegria nas chegadas e partidas.

Quero um dia nublado.
Dançar aos sábados à noite.
Fortuna pra jogar no lixo.

Quero amor pela manhã.
Passeio no clube com as crianças.
Deitar no gramado e descansar.

Sem perder.


16:45


Este é o início de uma lapso temporal em seu dia. Comece a notar, todos os dias quando o relógio do computador alcançar 16:45 pode ter certeza que amanhã chega, mas 18h não. É o lazy down da rotina. Certeza que quando o fim do mundo chegar, será às 16h45. O sol está deixando de ser forte para ficar mais fraco. Em tempos de chuva é quando o temporal é mais forte. Faz o teste! O céu escure e parece que 19h chegou, mas é só mais uma facepalm que o tempo dá em todo mundo.


Se está no trabalho, nada acontece. Nem o telefone toca. Toda a força criativa escorre de você, para a cadeira e vai ao chão como azeite caindo do pão (a rima foi involuntária). O sono, enlouquecedor, lhe mostra toda a força de vontade que você esqueceu em algum lugar, menos aqui. As 345 coisas que você estava fazendo passam a não ter tanta urgência assim. E, qualquer link, digo QUALQUER link passa a te içar como um tucunaré que está pronto para a rede-limpeza-chapa-estômago. Finalmente as 18h chegam, os posts no facebook e twitter vão diminuindo, os posts sobre o trânsito vão crescendo, mas você só sai às 19h. Então, todas as coisas deixadas para depois passam a ser feitas na velocidade da luz. 15 emails respostas em menos de cinco minutos. O teclado passa a ter sonoridade de um piano em fúria, dada a situação das teclas já demasiadamente amolecidas pelos toques frenéticos do rush time. Na maioria das vezes não dá tempo, então você acaba esticando até às 20h só para ter certeza que tudo ficará em ordem para o dia seguinte. E seguinte. E seguinte.


Mas você não trabalha. Está em casa. Puxou a poltrona para perto da estante só para colocar o pé em cima do braço do sofá. Mais conforto para a fase 5, nível três. Malditos helicópteros e mini-kits im-pos-sí-veis de encontrar. Já passou a hora do almoço, mas você preferiu a novela. Ainda não é jantar, mas você não lanchou. Então, o pacote de snakes fica de um lado e o brut do outro, só para relaxar. Mas são 16:45, quando todo o dia que quase está acabando passa a fazer algum sentido. O que eu fiz do meu dia, porque ele está QUASE no fim? Por que eu não saí de casa? Por que não comi cachorro-quente na igrejinha? E o almoço com azamiga, ficou para depois? POR QUE?!!?!!? Facepalm. São 01h45 de pura procrastinação estúpida pela falta de tempo perdido. Vou colocar tudo no twitter e dizer que a classemédiasofre.


Quando 16h45 chegar, já sabe, dá uma autistada e finja ser 15h45. Vamos ver no que vai dar.

Cigana, me engana!

Bahiana vidente é mineira de Patrocínio. Chegou com baralho dourado e cheiro de manjericão. Olhou nos meus olhos céticos e pediu para tirar um monte da mesa. Sobraram outros três que viriam para mais tarde. Bahiana leu que sou pessoa difícil, lido com tristeza sobre as coisas da vida, mas tenho família que me ama. Tem gente boa por perto, Bahiana leu que estou apaixonada e que vem vindo casamento por aí. Não sei, mas Bahiana já foi da umbanda, candomblé. Hoje é das ruas, lê cartas por 15 reais, de padaria em padaria ganha adeptos e perguntas que brotam mais que flor. Bahiana tem cheio de surpresa, pois mistério tenho eu. Bahiana leu nas cartas que sou pessoa cética, dura criada na pedra, mas que tenho família que ama. O amor, terei para vida toda, tem três filhos desenhados na minha mão. Bahiana leu para ter cuidado com tristeza. De uma carta a outra olho para LV e CM. Minhas siglas compartilham o mistério, mas não compreendem meu ceticismo. Saio da mesa 15 reais mais pobre e com certeza que Bahiana mineira, Bahiana de Patrocínio acertou muita coisa, mas errou no ponto que, em geral, acerta pra valer em outras clientes. Tem seis anos que Gustavo leu na mão muita coisa que aconteceu, mas que filhos não terei. Vamos ver qual dos dois estava certo.

Recortes

Parte de mim tem um passado que não quer esquecer. Construí isso, independente de quem estava ao meu lado. Este momento, o agora, é similar àquele que deixou de existir. Faz parte da minha singularidade esta dor. Não passa com o tempo, apenas cresce, assim como todas as coisas que deixei para trás. Talvez, daqui a dez, quinze anos eu volte a este texto e transforme este final em algo diferente. Contudo, é mais provável que apenas me lamente. Como sempre fiz e farei. Determinação é diferente de determinismo e de determinada.

Mera questão de contexto. 

Da frequencia das verdades

as vezes fico pensando no significado da palavra terrorismo. o que poderia ser classificado como. para muitos ocidentais americanos, essa expressão é utilizada para se referir a pessoas que provocam ações de dano físico a outras. mas, no entanto, para mim a palavra ganha mais força no campo da moral. 

estar sobre pressão é uma realidade contemporanea. será? será verdade que para ser bem sucedido a pessoa TEM de passar por certo tipo de pressão? TERRORISMO. Terror. tá entendendo? Ter-ror. remete à pavor, pânico mesmo. medo de perder o emprego. pânico de ter a imagem (tão dificilmente construída) ruir, como em um castelo de cartaz. 

há algum tempo, mais especificamente na geração passada, as pessoas se submetiam a certos tipos de tortura psicológica no trabalho para não ter a imagem de "bom profissional" arranhada. conheço pessoas assim, que se permite ter um ambiente de trabalho sob pressão. muitas delas "gostam" dessa sensação. mas, será que isso, realmente, as torna melhor ou pior profissional?

não sei ao certo, mas o que posso notar é que esta geração (a minha, entre 25 a 30 anos) os profissionais caem no mercado para dinamizar esse processo saturado nas relações de trabalho. onde a qualidade é equivalente ao esforço vezes a competência da pessoa. contrário do pensamento anterior, onde, muitas vezes, o funcionário era massa de manobra de muitos "chefes" que nem tinham jeito para caciques.

hoje convivo em um mercado misto, onde o conflito de gerações é evidente. principalmente, por não saberem valorizar a agilidade versus produtividade dos jovens.

terrorismo, uma palavra que ganhou força com processos de assédio moral. uma palavra que não deve ser temida e sim combatida.  mas a pergunta final é: como?

Sabor de passado

Cheiro de casa. do carro. do antigo trabalho. da rua. dos gostos. das lembranças. das pessoas que morram. cheiro de enterro. de coisa ruim. de fazer o que acha certo. de errar fazendo o que acha certo. de ter medo. de batida de limão. batida de carro. Cheiro de arrependimento. de esquecer do outro. Cheiro de gato. de cachorro. de tangerina. de abóbora no feijão. de lembrança de desenho animado. Cheiro de música, de sensação. de despertar. de dormir. Cheiro de travesseiro, de cobertor. de comida. da comida.

Das provações

Tenho deixado marcas, passos. Divagações em linhas curvas. A Brasília, minha Brasília, virou nossa. Já não o era? Confundo os passos dados com os que vem. Vai e vem. Deixo para os mais velhos as preocupações mais distantes. Estou disforme, moldada em suas mãos fortes. Seu corpo alto. Dez anos. Estou atrasada seis anos. Você adiantou-se cinco, para poder me acompanhar. Acostumei, muito mal, ou outros. Sempre levanto a capa protetora para eles. Materna. Não, não é mais a minha capa. Agora, o contrário faz valer. Sou fraca. Dócil. E, desta vez, protegida. Provar o veneno alheio é anestésico.

Diálogos promissores

LINDO's new status message - Aí vai uma: Mulheres abelhas se preparem pq o homem mel chegou!!!   18:13
me: pó tirar esse plural aê!
 LINDO: é só pra vc anotar amor
 me: seu nick anterior estava melhor
  ANOTAR?
 LINDO: e vc é a unica mina no meu gtalk
 me: aham
  ta
  vou FINGIR que acredito
 LINDO: é sério
  tem vc e o L.
18:15 mas esse já usei mto
  então...
 me: hauhuahuhaua
 LINDO: a vai dizer que num gostou dessa?
  vc tem que ver com interpretação
  chegando dando um bicudo na porta da colméia e berrando isso
  chapado de caracu
  nossa me pegaria agora
 me: huahuahuahuhau
  até EU te pegaria
  fácil

UPDATE:

LINDO: mas vc sabe que é a unica no meu gtalk
  
  e que essa cantada só ficou boa pq pensei em vc
18:23 me: aham
  sei
  e ainda por cima quer tentar me convencer
  danadiiinhooo
 LINDO: não acredita, que horror
  me sinto ferido agora
18:24 me: vem pra cá que até viro enfermeira pra vc
 LINDO: SAAAAAAAAAAAAAAAAAAI RASGAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAANDO BREQUENDEQIIIIIIIIIIII!!!!!!
18:25 me: neam
  =)
 LINDO: éah
  ^^
  agora to com medo de tc com vc
  depois dessa exposição

All I Really Want To Do

(bobdylan)

I aint lookin to compete with you, Beat or cheat or mistreat you, Simplify you,classify you. All I really want to do Is,baby,be friends with you. No,and I aint lookin to fight with you, Frighten you or tighten you, Drag you down or drain you down, Chain you down or bring you down. All I really want to do Is,baby,be friends with you. I aint lookin to block you up, Shock or knock or lock you up, Analyze you,categorize you, Finalize you or advertise you. All I really want to do Is,baby be friends with you. I dont want to straight-face you, Race or chase you,trick or trace you, Or disgrace you or displace you, Or define you or confine you. All I really want to do Is,baby,be friends with you I dont want to meet your kin, Make you spin or do you in, Or select you or disect you, Or inspect you or reject you. All I really want to do Is,baby,be friends with you I dont want to fake you out, Take or shake or forsake you out, I aint lookin for you to feel like me, See like me or be like me. All I really want to do Is,baby,be friends with you. 

Resposta II

como
fácil
tuas cascas

aquelas que secaram
com o sangue.

como
é 
fácil
encontrar-se


como
fácil 
laços de pernas. 


como 
fácil 
até os dedos.


Meus, teus, nossos. 


Inspira-ação: Urro - Labirintos de Annaká



Das coisas que não deixei para trás

Querida B, 


Faz tanto tempo que não escrevo que tenho medo de errar. Assim como o faço em todos os meus dias. Errei tanto que não tenho mais dedos e nem paciência para contar. Tem sido assim, a cada momento. Interessante é como, mesmo no meio desse redemoinho de frustrações, eu estar aqui, de pé, erguendo o nariz e continuando como se tudo o que falam a despeito de mim pudesse atingir-me. Deveria, não é mesmo?

Os dias passam como música aos ouvidos. A brisa, sibilante, traz boas novas. Como se o universo estivesse conspirando para um super acontecimento. Ainda não sei qual será. Não tenho ideia do que poderá decorrer disso. Comecei a contar a quantidade de pessoas bacanas venho colecionando. E como, de um ano para cá, renovei. Dizem que a chegada da primavera traz uma sensação de bem estar e alívio. Quero minha parte em esperança.

Minha unica tristeza, unica mesmo, é não poder estar aí. Do outro lado. Sentindo sua graça preencher os espaços. Aqueles que um dia foram nossos. Um lar. Tenho esperança na vida. Sei de muita coisa, mas outras desconheço seu fim. Quero que saibas que para mim não houve um basta. Estamos ligadas. Mesmo que não nos queiram ver juntas.

Espero que isso sirva de alerta. Para que, em pouco tempo, estejamos novamente sentadas naquele mesmo bar. Tomando nossa cerveja e rindo dos problemas dos outros. Seria bom. Seria muito bom.


Saudades, 
K



Distante

Estou tentando equilibrar.
Um estado, pouco afável e tão menos nutrido pelas adversidades dos dias. Hora quente, em outros muito frios. Muitas vezes a voz aperta. Não tem muito o que prever. Certas linhas já estão traçadas.
O fato é que me demoro em demasia em tópicos e linhas que não me pertencem, me apertam e prejudicam a visão das coisas. Uma ânsia que corrompe. Me atenho, então, aos papeis, espalhados por todos os lados. Grudados na parede, no computador. Pedacinhos em cima do teclado. E descubro-me em outro caminho.

É como o rastro de formigas na lata de lixo. Do nada para lugar algum.

Encanto

Pausa.
Intensidade.

Prazer, meu nome é...



Dá para sentir saudade de quem ainda não se conhece?

Dos Argumentos

Certos argumentos fazem você sair do ostracismo cotidiano e partir para novas possibilidades. Mesmo que o molde à que você esteja aplicado tenha de ser revisto. O instinto ainda é animal, senhores. Ainda o é.

Síndrome do Colonizado
Eduardo Escorel, da Revista Piauí
"Jovem árabe analfabeto, preso e condenado a seis anos de cárcere, Malik El Djebena, personagem principal do filme, seria um profeta, declarou Thomas Bidegain, no sentido que "projeta um novo tipo de gângster". Malik amadurece na prisão. Aprende a ler, escrever e matar. Esse é o resultado do processo pedagógico vivido no sistema carcerário. Solto, volta ao convívio social, preparado para o exercício da criminalidade."


A resenha completa do filme Um Profeta de Jacques Audiard, no site da Piauí edição 44.

Diva


"Sou apenas a casca da árvore de minha existência". 

Não canso de dizer, o perfeito alterego de qualquer contista.

Suicídio com uma lata de leitemoça

Vi dentro do tubo. Face rósea, sonhos e loucura. No inverso da história estive lá, sem perspectiva, traiçoeira.

No intervalo, minha intersecção. O sangue escuro da artéria perfurada. Por dentro, por fora. Em pedaços de leitemoça.

Era Bethy, a enfermeira. No kansas, arizona, el lay e roma. Distante como o mundo. Indiferente consigo.

Não foi comigo! ... Foi?



Fui a uma comemoração. Era aniversário de vintecinco anos de uma amiga. Disse para mim, "porque não? Num tô fazendo nada mesmo". Peguei uma grana emprestada, catei minha roupa mais out/in, recolhi as chaves e corri pro abraço. 

Chegando lá olhei para o copo de chopp do colega do lado e disse: "porque não? Tem tempo que não bebo, mas num tô fazendo nada mesmo". Então vamo que vamo e depois de umas duas horas entre redatores, mídias, criativos e eticeteras o nível estava baixando. E o bar fechou. Ouquei, todos disseram. Perguntaram para o google onde tinha uma festa que poderíamos entrar as duas e meia da matina. Acharam uma, mas alguns não concordaram de imediato. Em dez minutos estávamos no local indicado. 

Chegando lá, decidi que já tinha dado de tudo. Voltar para casa seria a decisão mais sensata e inteligente a fazer. Aí a consciência amiga alertou-me de um detalhe já há muito esquecido: no final da fila de inteligência no céu o guichê estava fechado. Enfim... 

Mas aí na tal da festa tentaram me convencer a terminar a noite ali, entre pré-adolescentes com identidades falsas, playbas e coisas do gênero. Olhei, divaguei e voltei a conversar com meus botões: "porque não? Ir pra casa agora pode me garantir uma blitz desnecessária. De manhã não tem detran na rua. Aliás, não tô fazendo nada mesmo". 

Já na portaria a impressão que deu era que não se fazem mais porteiros de #buathys como antigamente. O cara olhou pra minha cara e pediu o RG. Falei para mim: "cara, #olhanosmeusolhos e veja as rugas da infelicidade! Quantos carnavais passei, quantas alegrias explorei? Cê tem certeza disso?" Ouquei, não disse nada disso, passei a RG e a indignação ficou na ponta da língua. 

Entramos. Aí, que delícia de baixo astral. Um copo vai outro vem. O salão tava cheio, aí eu e minha amiga aniversariante resolvemos brindar as recordações de cinco anos atrás. Resultado dançamos loucamente, ouvimos e curtimos DRs, nossas de todos, das músicas, a sensação, das faltas. E o salão começou a minguar, os casais já formados foram se despedindo. Vibe de ex no ar. Eticeta e tal. No final das contas cheguei a uma resolução drástica e insatisfatória: implantaram um chip com alarme (BARANGAVIBE), em mim ou já passei da idade.  

Ouquei, você que chegou até aqui pensando que tinha um final legal, desista. Acabou a história.   

Aliás, acabou não. Logo mais teremos um post especial: ressaca amiga de todos. Not!